Se você acha que ser sustentável custa caro, vamos repensar juntos! Aqui vão algumas dicas fáceis para ser mais sustentável no dia a dia e ainda economizar dinheiro.

Mas, antes disso, será que você sabe exatamente qual o conceito de sustentabilidade e quantas maneiras de ser sustentável existem?

O que é sustentabilidade?

Lester Brown, fundador do Wordwatch Institute, foi quem emplacou o conceito de sustentabilidade voltado para a causa ambiental lá na década de 1980. Ele defendia que uma comunidade sustentável é aquela satisfaz suas necessidades preservando condições e recursos para que as futuras gerações possam fazer o mesmo.

Basicamente, isso significa que “ser sustentável” é retirar do meio ambiente os recursos necessários, sem danificar permanentemente a natureza ou impossibilitar seus ciclos de renovação.

Se der pra ajudar, reflorestando e não enterrando lixo em qualquer buraco, melhor ainda.

A natureza tem ciclos de renovação, portanto, o problema em si não é a retirada de recursos, mas o equilíbrio entre o tempo que ela leva para se renovar e o quanto precisamos utilizar para nossa existência. A pergunta é: você tem consciência da sua real necessidade?

Pilares da sustentabilidade

Para ser sustentável, é preciso:

  • Ser ecologicamente correto;
  • Ser economicamente viável;
  • Ser socialmente justo;
  • Ser culturalmente aceito.

Vamos criar um personagem para entender melhor essas questões. Ele se chama Policarpo.

Policarpo acha um absurdo que o vizinho tenha coberto com concreto todo seu jardim só porque tinha preguiça de cuidar. Com isso, não há mais terra para absorver a água da chuva, que acaba escoando para a rua, alagando tudo e entupindo os bueiros. A solução de Policarpo: comprar um marreta e quebrar a calçada do vizinho por conta própria.

A solução de Policarpo foi economicamente viável e sem dúvida ecologicamente correto, mas, de acordo com as leis da sociedade em que vivemos, não foi culturalmente aceita e nem socialmente justa.

Policarpo foi fiel ao meio ambiente? Sim. Foi sustentável? Não. Assim como não seria sustentável uma empresa aparecer dizendo que pode salvar a camada de ozônio, mas cobrar o preço do PIB da China e dos Estados Unidos juntos. Não pode ser sustentável se não há meios para realizar.

O que é meio ambiente?

Além do conceito de sustentabilidade, é importante entender o conceito de meio ambiente.

De acordo com o maravilhoso site Conceito.de, que guarda o poder mágico de ter conceito pra tudo, “meio ambiente é um sistema formado por elementos naturais e artificiais relacionados entre si e que são modificados pela ação humana. Trata-se do meio que condiciona a forma de vida da sociedade e que inclui valores naturais, sociais e culturais que existem num determinado local e momento”.

Ou seja: meio ambiente é onde você VIVE. Isso significa:

  • O planeta Terra
  • A superfície da Terra
  • O seu país
  • A sua cidade
  • A sua casa

Ou seja, respeitar ao meio ambiente é exatamente o mesmo que respeitar o planeta e tudo que contém nela, incluindo pessoas, animais e seres vivos. É basicamente respeitar tudo, todos e a si mesmo.

E, sim, se a sociedade faz parte do meio ambiente e o meio ambiente engloba todos os ecossistemas em que habitamos, responsabilidade social também significa responsabilidade ambiental.

Por que é tão importante saber o conceito de meio ambiente e sustentabilidade?

Porque isso nos dá noção de pertencimento. Ser sustentável não significa só entrar pro Greenpeace e salvar a Amazônia, significa ter consciência sobre o impacto positivo ou negativo que causamos a tudo que nos cerca. Somos parte do todo, a todo momento.

Agora que você já sabe o que é sustentabilidade, meio ambiente e qual o seu papel na sociedade, vamos partir pra prática.

Maneiras de ser sustentável no dia a dia

1) Reaproveite suas embalagens

Você já parou para pensar em quanto lixo produz em casa? E aonde esse lixo vai parar? E quanto tempo leva pra se decompor?

Pode ter certeza, não existe nenhum tipo de buraco de minhoca dentro do caminhão de lixo, o que entra lá vai parar em algum lugar, muitas vezes bem perto de você. Ou de rios, de lagos, de reservas…

Uma maneira simples de causar menos impacto é dispensar o uso de embalagens em casa. Que tal começar a fazer compras à granel?

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Muitas vezes, além de produtos mais frescos (lojas de confiança não podem e nem conseguem estocar alimentos à granel), você economiza dinheiro. Compras à granel costumam ser muito mais em conta.

“Ah, Aline, vou acabar gastando muito mais comprando os potes para armazenar”. Olha, os potes que você utilizar vão durar por anos, a longo prazo é uma baita economia.

Além disso, já tentou perguntar a amigos se eles têm potes de conserva vazios para doar? Converse, fale que você está procurando. Pode ser que não tenham agora, mas vão se lembrar de você.

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E existem muitas maneiras de reaproveitar embalagens. Garrafas de cerveja podem se tornar copos ao invés de ir pro lixo, além de luminárias ou vasos. Ser sustentável também é ser criativo!

Alguém pegou embalagens de amaciante e teve a ideia de fazer vasos suspensos para espalhar pela cidade:

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2) Dê preferência a alimentos orgânicos

Além de serem mais frescos, você tem a certeza de que os alimentos não receberam produtos químicos danosos ao meio ambiente ou prejudiciais à saúde.

Comprar produtos orgânicos pode custar um pouquinho mais, mas existem feiras que vendem direto do produtor.

https://magdeleine.co/photo-emilia-eriksson-n-717/

Na Vila Madalena – São Paulo, por exemplo, existe o Instituto Chão. Eles trabalham com os princípios da Economia Solidária, um sistema mais justo com o produtor e transparente com o consumidor final. Você pode pagar apenas o valor pelo produto ou contribuir com uma quantia para ajudar o Chão a continuar existindo. Tudo que for arrecadado é exposto ao consumidor, para você saber exatamente como o dinheiro foi utilizado. Bem diferente do que acontece quando você compra em grandes mercados, né?

Além do mais, você não precisa comprar TUDO. A maioria dos temperos comuns que utilizamos podem ser tranquilamente cultivados em casa, em pequenas floreiras, vasos, potes e até latinhas.

Olha só estas imagens para não ter mais desculpa:

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Não sabe como cuidar? Gente, a maioria dessas ervas só precisa de luz e um pouquinho de água por dia. Dá uma lida aqui para ter ideia de quais ervas investir.

3) Reaproveite materiais

Você já deve saber que caixotes de feira rendem bons nichos de parede e pallets rendem bons sofás. Porém, o reaproveitamento de materiais vai muito além da decoração da sua casa, podendo até gerar economia de recursos. Se você tiver espaço, pode fazer uma composteira utilizando baldes velhos, como ensinam o link e a imagem abaixo.

Aprenda a fazer uma composteira caseira reutilizando baldes de margarina

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Reduzir o lixo que inevitavelmente iria parar em aterros sanitários não vai só fazer você dormir melhor à noite: vai proporcionar uma consciência incrível sobre seu impacto na natureza (e ainda render terra fértil de primeira para o replantio das suas ervas).

Agora, se você for um entusiasta sustentável hardcore e quiser mesmo contribuir pro nível da Cantareira subir, pode fazer seu próprio coletor de água da chuva. Veja como aqui:

4) Aprenda a separar corretamente seu lixo

Separar de verdade o lixo orgânico do reciclável vai além de colocar o que é resto de comida num saco e rolinho de papel higiênico em outro.

Você sabia, por exemplo, que cerâmica não pode ser reciclada? E que objetos de chumbo são?

Materiais que não são recicláveis, mas muita gente não sabe:

  • Fotos ou papel vegetal
  • Esponja de aço, latas de tinta ou de desodorante aerosol
  • Espelho, lâmpadas, cristal, cerâmica e porcelana
  • Adesivos, tomadas velhas, acrílico
  • Espumas e material corrosivo ou tóxico

Materiais que são recicláveis, mas muita gente não sabe:

  • Clipes de papel, grampos de cabelo
  • Peças de cobre, bronze ou chumbo
  • Isopor
  • Escova de dente
  • Caneta sem carga
  • Baldes

Ou seja, sabe aquele pote com comida que você esqueceu no fundo da geladeira e acabou criando um ecossistema inteiro dentro? Se você quiser mesmo ser sustentável, não adianta jogar inteiro no lixo orgânico. Melhor encarar o problema, jogar os restos num saco e o pote (de preferência lavado) em outro.

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Como todos sabem, o ideal mesmo é ter uma lixeira para cada tipo de material – orgânico, papel, metal, plástico e vidro – mas os apartamentos de hoje estão cada vez menores, muitas vezes isso não é possível. Se você apenas separar o lixo úmido (tudo que estraga com facilidade) do seco (tudo que demora mais pra se decompor) já é de grande ajuda.

Eu, particularmente, costumo separar o lixo úmido do seco assim: o que fede e o que não fede. Se algo é seco, mas pode feder porque está com restos de alimento, dou uma lavadinha rápida antes de pôr na lixeira.

Se você mora em condomínio, pode imprimir cartazes informativos sobre reciclagem para colocar nos murais do edifício ou sugerir a colocação de lixeiras ecológicas. Por que não tentar? O “não” você já tem.

Ah, e sabe uma coisa muito, muito, muito simples que também ajuda o planeta? Se informar sobre os aqueles símbolos que vêm nas embalagens.

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É pouco, mas você pode entender melhor de que material a embalagem do produto é feita (caso você precise muito comprar) e também a maneira correta de descartá-lo.

5) Tenha ecobags sempre à mão

Se usar carro (além de evitar usá-lo em pequenos percursos), também vale deixar ecobags e caixas de papelão no porta-malas.

São Paulo restringiu a distribuição de sacolas plásticas nos mercados, mas muitas cidades não têm campanhas informativas sobre o uso consciente das sacolinhas. Porém, todo mercado (sério, acho que todo mesmo) doa as caixas de papelão para os clientes. Muitas pessoas não pedem simplesmente porque se esquecem ou porque estão acostumadas com a comodidade da sacolinha.

Da próxima vez que for ao mercado, garanta sua caixa ou ecobag (ou as duas coisas) e deixe no porta-malas do carro. Sempre que precisar fazer uma compra, terá uma das duas opções para ajudar, ao invés de acumular (ou até pagar) por sacolas plásticas que não são muito amigas do meio ambiente.

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5) Tenha consciência do que está ao seu alcance e faça sua parte

Olhando de uma forma ampla, esses esforços são bem pouco, sim. Perto dos 6,1 bilhões de pessoas que dividem o planeta, um único indivíduo é muito pouco.

Eu sei que vai bater aquela bad quando você sair na rua e ver que o vizinho não separou o lixo; ou quando estiver curtindo a praia e pisar numa latinha de cerveja enterrada na areia; ou quando estiver dirigindo e ser obrigado a assistir o motorista à frente jogar, sem peso nenhum na consciência, um papel de sorvete pela janela.

Você com certeza vai ficar triste, ficar chateado (para não dizer outra coisa), se questionar se seus hábitos realmente fazem diferença, talvez até se cobrar por não fazer mais.

Porém, pense assim: você não é aquela pessoa. Por ano, quantos entulhos a menos você significa?

E por década?

E quando seus netos estiverem por aqui?

Tudo bem desmotivar, mas nunca desistir. Sozinho você pode não salvar o mundo, mas pode salvar sua consciência.

Pense nisso sempre que não fizer algo por acreditar que não adianta!

Você tem algum outro hábito que ajuda o meio ambiente? Ele é fácil de ser praticado no dia a dia? Conta pra gente! Se a dica for boa, incluímos aqui. 😉